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Cuidado! ‘Morrer engasgado’ não é força de expressão.

  • 05 de setembro 2018
  • por Carol

Cuidado! ‘Morrer engasgado’ não é força de expressão.

Expressão muito comum é quando, diante de um engasgo, as pessoas dizerem que ‘quase morreram engasgadas’. Seria um exagero ou isso, de fato, pode acontecer? Segundo a especialista, infelizmente isso pode acontecer.

 

A fonoaudióloga, mestre e doutora do Hospital Otorrinos Curitiba Carla Maffei, explicou por que o engasgo acontece e também esclareceu a dúvida de algumas pessoas que dizem que quando alguém engasga é porque o alimento entrou no ‘buraco errado’.

 

Ouça aqui a entrevista que aconteceu no dia 5 de setembro de 2018 no Program Manhã da Mais com a Carol Chab.

 

 

 

 

 

Quem é mãe de primeira viagem (ou até mesmo de segunda ou terceira…) fica um pouco aflita quando o bebê engasga, principalmente depois da amamentação. Mas sabendo a maneira correta de amamentar, a alimentação se torna mais segura e tranquila.

A fonoaudióloga, mestre e doutora do Hospital Otorrinos Curitiba Carla Maffei, explicou por que o engasgo acontece e também esclareceu a dúvida de algumas pessoas que dizem que quando alguém engasga é porque o alimento entrou no ‘buraco errado’.

“O ‘buraco errado’ se refere à fisiologia da deglutição. O caminho por onde segue o alimento se inicia na fase oral, onde o alimento é triturado e pulverizado na boca pela mastigação e ejetada para a faringe pelo movimento da língua.

Na faringe há dois caminhos – os tais buracos, como dizem por aí: o esôfago e a laringe. O esôfago conduzirá o alimento da boca ao estômago e a laringe conduz o ar ao pulmão. Estas duas estruturas são muito próximas e quando há um desequilíbrio entre estas estruturas ocorre o ‘engasgo’.

Ou seja, o alimento, em vez de seguir para o esôfago e estômago acaba penetrando na laringe e pulmão, ocasionando o ‘engasgo’. Se repetida várias vezes pode ocasionar a pneumonia broncoaspirativa”, explicou a especialista.

 

 

 

Como prevenir o engasgo nos bebês

É possível prestar atenção em alguns cuidados para que o bebê não engasgue após a amamentação ou a ingestão de outro alimento. A doutora Carla listou importantes orientações para alimentar a criança de modo seguro:

 

1 – Posicione o bebê sentado em seu colo, e não deitado;

2 – Certifique-se de que o bebê tenha uma boa embocadura no seio (‘pega’) ou no bico da mamadeira;

3 – Se o bebê estiver sendo alimentado pela mamadeira, observe se o bico é de característica ortodôntica, e com o furo realizado por uma agulha. As marcas mais recomendadas são da Chuca e Nuck, que evitarão que o bebê engula o ar enquanto mamam, pois possuem válvulas anti-cólicas;

4 – Após a mamada, coloque o bebê na postura em pé em seu colo com a cabeça apoiada no ombro, batendo de leve nas costas;

5 – Nunca agite o bebê após a mamada. Ao contrário do que muitas pensam, com esse movimento facilitará o vômito, engasgos e o refluxo gastroesofágico;

6 – Mantenha-o na postura em pé para arrotar;

7 – Após cerca de trinta minutos nesta postura coloque o bebê no berço, se possível com a cabeceira elevada, para evitar refluxo gastroesofágico.

 

 

 

E na hora de dormir?

A melhor postura para acomodar um bebê no momento de dormir, de acordo com Carla, é de lado e com a cabeceira do berço elevado, mudando de posição sempre que possível. “Nunca de barriga para cima”, alerta.

 

 

E se a criança engasgar?

Caso a criança se afogue, a orientação é colocá-la no colo de barriga para baixo e bater nas costinhas para que, por ação da gravidade, consiga expelir o alimento que “engasgou”.

 

 

 

Engasgo pode ter relação com algum problema mais grave?

O “engasgo” é um alteração da fisiologia da deglutição, onde há uma má coordenação das funções da deglutição e respiração e possivelmente da voz. Segundo a doutora, se os casos de engasgo forem muito frequentes, eles devem ser avaliados pelo pediatra, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo especialista em disfagia, além da realização de exames apropriados para obter um diagnóstico preciso.

 

“Também é indicado o exame para diagnóstico da disfagia, o videodeglutograma, o teste de deglutição por radioimagem, que é considerado padrão ‘ouro’ dentro da medicina para este tipo de diagnóstico. O fonoaudiólogo centrará suas considerações de tratamento com base no videodeglutograma”, acrescenta.

 

 

 

Mito ou verdade?

É comum ouvirmos por aí que quando alguém engasga a dica é levantar as mãos para cima. Mas será que existe alguma relação entre esse procedimento e a melhora do quadro? A doutora Carla esclarece:

 

“É mito. O ideal é tossir e posicionar o tronco para frente, para que, por ação da gravidade, o alimento saia. Caso fique parado na garganta, é preciso buscar imediatamente um posto de saúde ou hospital para atendimento”, orienta.

 

 

 

‘Morrer engasgado’ é força de expressão?

Outra expressão muito comum é quando, diante de um engasgo, as pessoas dizerem que ‘quase morreram engasgadas’. Seria um exagero ou isso, de fato, pode acontecer? Segundo a especialista, infelizmente isso pode acontecer.

“Principalmente com alimentos sólidos, os quais são colocados na boca em pedaços grandes e mal mastigados. Outro fator importante que leva a engasgos mais sérios é a falta de dentes. Este tipo de engasgos com sólidos pode levar à obstrução das vias aéreas inferiores, causando sufocação e expondo a vida a riscos”, resumiu.

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