Consultório médico

Privação do sono pode ter relação com Alzheimer; entenda a importância de dormir bem

  • 28 de janeiro 2019
  • por Repórter

 

 

 

 

Segundo pesquisadores americanos, dois novos estudos, divulgados nesta semana apontam que, a privação de sono e a presença de uma bactéria que causa infecções na gengiva podem ter relação com Alzheimer.

 

 

 

A doença de Alzheimer não tem uma cura definitiva, embora o tratamento possa retardar sua evolução. Durante a pesquisa, ambas as análises foram coordenadas por pesquisadores de instituições americanas. David Holtzman, da Universidade Washington em Saint Louis, comandou o estudo sobre os efeitos da falta de sono sobre as origens do mal de Alzheimer, que acaba de sair na revista Science.

 

 

 

 

A pesquisa sobre o elo entre a bactéria Porphyromonas gingivalis e a doença, por sua vez, foi liderada por Stephen Dominy, da empresa de biotecnologia Cortexyme, em San Francisco, e está no periódico especializado Science Advances.

 

 

 

Como a qualidade do sono pode influenciar sua vida: 

 

Se você tem algum problema relacionado a sono – ou a falta dele – saiba que a maioria da população do Brasil está com você: 72% dos brasileiros e brasileiras sofrem de doenças relacionadas ao sono, segundo um estudo da Philips divulgado no ano passado.

 

 

“Dormir não é perder tempo, o sono de má qualidade gera problemas de saúde em pessoas de todas as idades”, afirma o otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono, Fernando Cesar Mariano.
Além de consultar um médico para resolver problemas desse tipo, é possível adotar como hábitos as “regras de ouro” que, segundo Mariano, podem ser seguidas para alcançar um sono e uma vida com mais qualidade. No programa Manhã da Mais a Carol Chab entrevistou especialista em Medicina do Sono, Fernando Cesar Mariano para explicar sobre como o sono afeta a qualidade de vida. Confira:

 

 

 

 

O médico otorrinolaringologista, Mariano explica que a pessoa que dorme bem acorda disposta, ativa e não tem interrupções durante o dia por causa de sonolência.
“Esses são sinais subjetivos da qualidade do sono. Para avaliar com precisão se uma pessoa dorme bem, unimos esses aos sinais objetivos do exame de polissonografia, como dificuldade para iniciar o sono, despertar durante a noite, aproveitamento de ao menos 85% da noite na cama para dormir”, afirma.

 

 

 

Ele diz que despertar uma vez durante a noite não tem problema, e idosos podem despertar até duas vezes: “Principalmente, a facilidade para pegar no sono é algo revelador sobre a qualidade desse sono. Já sintomas como depressão, diminuição da concentração e mau humor, por exemplo, podem ser causa ou consequência de um sono ruim”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regras de ouro: higiene do sono

 

 

 

 

 

 

O especialista dá as dicas – as regras de ouro da qualidade do sono –, que devem ser seguidas por quem, independentemente da idade, quer dormir bem:
Escuridão: Quanto mais nos expomos à luz, à noite, pior é para a produção da melatonina, que é o hormônio que ajuda a preparar o organismo para dormir. Para idosos e crianças, é recomendável um botão de luz ao alcance da mão para, caso seja necessário levantar durante a noite, evitar o risco de quedas e outros acidentes. Mas, para um sono de qualidade é preciso escuridão total.

 

 

 

 

 

Mesmo quando há luz no quarto de dormir, ela deve ser o mais branda possível, como uma penumbra. Televisão no quarto, por exemplo, é má ideia. O quarto de dormir, o nome já diz, idealmente deve servir para dormir, descansar, e não para outras atividades como ler, trabalhar, assistir à TV. Caso não resista a uma leitura antes de dormir, deve ser algo leve, que não exija muita concentração.

 

 

 

 

 

Silêncio: Em tempos modernos, quem mora nas grandes cidades tem cada vez mais dificuldade de encontrar locais em que haja silêncio, mesmo à noite. Esse, no entanto, é outro requisito para um sono efetivo.

 

 

 

 

Temperatura agradável: Outra característica dos nossos tempos de mudança climática é a ausência de uma temperatura agradável ou ideal, mais um elemento para se chegar à qualidade de sono.

 

 

 

 

Horário padrão: manter a mesma hora para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana, ajuda muito a regularizar o círculo circadiano ou relógio biológico do organismo e fazê-lo entender os horários de dormir e acordar.

 

 

 

 

 

 

Não se expor a eletrônicos: Aproximadamente 45 minutos antes do horário de dormir, deixar smartphones, tablets, aparelhos de TV e computadores. Evitar a agitação ajuda a relaxar, é claro, mas, como no primeiro item, é importante evitar a exposição à luz, e a luz azul que vem dos eletrônicos atrapalha ainda mais o relaxamento e a produção de melatonina.

 

 

 

 

 

Evitar exercícios físicos no período noturno: Agitar-se fisicamente pode aumentar a temperatura corporal, o que atrapalha pegar no sono.

 

 

 

 

Evitar refeições fartas: Se for comer à noite, que seja até três horas antes de deitar para dormir, e uma refeição leve, que não faça o organismo se ocupar mais da digestão do que da indução ao sono.

 

 

 

 

Dois mitos e uma verdade sobre o sono

 

 

 

 

Segundo Fernando Cesar Mariano, há mitos sobre o sono que podem causar angústia e até mais insônia em quem já sofre com isso.

 

 

 

É preciso dormir oito horas por noite

 

 

Mito! O desejável e que cada pessoa descubra a própria média ideal de quantidade de sono. Para o adulto, segundo associações médicas nacionais e internacionais, a média são 7 horas por noite. Menos do que isso pode aumentar as chances de desenvolver alguns problemas de saúde.
A partir dessas sete horas, cada pessoa pode, ao prestar atenção em seu histórico, perceber qual a duração de uma noite de sono para se sentir bem durante o dia. Costuma ser entre sete e nove horas. Já quem dorme menos de seis horas por noite tem chances aumentadas de 13 a 17% de morrer por doenças como infarto, AVC e até sepse.

 

 

 

Quem dorme cedo e acorda cedo tem mais qualidade de vida

 

 

Mito! Nem sempre. As pessoas são diferentes umas das outras e há vários cronotipos, ou seja, vários tipos de ritmos circadianos. Algumas pessoas realmente têm uma atividade melhor de manhã e outras trabalham melhor no final do dia. Não se deve padronizar o mesmo horário de dormir e acordar para todas as pessoas: há os matutinos e os vespertinos. Os especialistas podem ajudar na identificação dos cronotipos.

 

 

 

Sobre o Dr. Fernando Cesar Mariano

 

 

O médico otorrinolaringologista Fernando César Mariano é especialista em sono e cirurgião de ronco e apneia. Faz parte do corpo clínico do Hospital IPO e é médico em Quatro Barras (PR). É criador do game educativo para crianças e adolescentes “Hey, Roncabilly! O game do sono saudável”, que destaca a importância de dormir bem e desmistifica que roncar é algo engraçado ou normal. Mais informações no site: www.drronco.com.br.
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